Por Pe. Gottardo

“Teremos luzes, festas, árvores luminosas e presépio. Tudo falso: o mundo continua fazendo guerras. O mundo não entendeu o caminho da paz” (papa Francisco).

Aproxima-se o final do ano. As luzes e cores do Natal tomam conta dos ambientes. Entretanto, é preciso fare attenzione para não transformarmos o Natal em mero tempo de consumismo e de gastanças. Atiramo-nos, porque açulados pelo deus mercado, numa ânsia quase incontrolável por festas, comidas, bebidas e compras… E o Natal do Menino que nasce na estrebaria?

A famigerada “cultura” do papai Noel desvirtuou a centralidade da festa cristã, ou seja, o Menino-Deus foi relegado à periferia do fato evocado. Papai Noel tornou-se o símbolo do consumo, decorando e movimentando shoppings, lojas e o comércio em geral. Efetivamente, com o bombardeio insistente e enervante do aspecto “mundano” da celebração, o sentido genuíno do Natal fica empalidecido. Uma pena!

As aberrações são tantas que cabe a candente questão: Os natais de hoje são cristãos? A sociedade cada vez mais marcada pela idolatria do dinheiro e do desvairado consumo usa e abusa do simbolismo religioso. “O brilho das relações marcadas pelo capital invade espaços e corações, procurando sufocar o Menino do Presépio. O Natal do consumo revela um mundo de pessoas que se medem pelo ter, pelo aparentar, pelo possuir, pelo gozar, pelo dominar” (Pe. Vicente de Paula, Bth).

Que tal voltarmos nossos olhos para o Presépio? Não podemos prescindir do essencial, sob o risco de celebrarmos o Natal do Senhor como os pagãos. No entendimento do Pe. Vicente “o presépio é lugar de relações saudáveis marcadas pelo afeto, pelo amor, pelo cuidado. A simplicidade do presépio revela pessoas que são ‘presentes’ antes de dar ‘presentes’. É verdade, se o presente oferecido não for acompanhado de amor sincero é apenas troca comercial, uma coisa mimética.

Todos estamos imersos da cultura do “descartável”, onde as pessoas se contentam em ostentar aparências e se satisfazem com quinquilharias. No entanto, “o Presépio nos inspira à graça de ser família, envolvida por valores mais nobres, cujo maior deles é o perdão. Lembra-nos que para ser feliz é preciso muito pouco. Conclama-nos à hospitalidade, à solidariedade, ao acolhimento. Ensina-nos que ali, Deus se fez gente para que possamos ser mais gente”.

Não transformemos, pois, as festas cristãs em insultos aos empobrecidos nem em mero expediente para dar asas ao instinto de satisfazer-se com prazeres enganosos. A propósito, questiona-se o religioso: “Quantas casas terão muitas comidas caras, presentes caros, luxo e riqueza, mas as famílias continuarão na mágoa, no ressentimento, no ódio, na mentira, na falsidade. Nestas casas, pais não falarão com filhos, filhos não perdoarão seus pais, irmãos não se reconciliarão, maridos continuarão a trair suas esposas, esposas enganarão maridos”.

O Natal é tempo de graça e de alegria. Que ao contemplarmos o Menino repousando no Presépio possamos aprender a sermos mais humanos para sermos, quiçá, mais divinos. É o desejo de Deus

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