Por Pe. Gottardo, SJ

Na ocasião da visita do provincial, Pe. João Renato Eidt, SJ

Na madrugada do dia da Festa de Cristo, Rei do Universo, 25 de novembro de 2018, o nosso valoroso companheiro e amigo, Irmão Valdemiro Costa silenciou, “fechou os olhos para ver melhor” (J. Martì). Foi vítima de um câncer agressivo e devastador. Tudo muito rápido e doído a ponto do seu passamento causar espanto e notável impacto aos amigos e conhecidos. Como foi difícil interiorizar e assumir o fato como dado inexorável da realidade!

Irmão Valdemiro ficará na memória de muitos neotrentinos como um religioso Jesuíta que nunca abandonou as raízes de “colono”. Será lembrado como exímio assador de churrasco, como trabalhador incansável, gastava suas energias e suas forças no cultivo de hortaliças e de verduras na horta; às vezes, murmurava por causa da exiguidade do terreno disponível. Queria mais espaço para trabalhar, produzir, sentir-se útil. É importante destacar que aquilo que ele cultivava dava com fartura e atraia a admiração das pessoas. Competente e valente! Torcedor do “colorado” quando o time perdia na segunda-feira ficava macambúzio, mas logo se reanima, talvez, por reconhecer que neste mundo tudo passa, e muitas das nossas distrações são bolhas de sabão.

Na Vigília Pascal de 2018

No próximo ano ele celebraria 50 anos de Vida Religiosa na Companhia de Jesus e no próximo dia 6 de dezembro celebraria 79 anos de vida. Nas últimas conversas que tivemos pelo skype manifestava o firme desejo de retornar a Nova Trento e, em janeiro/2019, recomeçar os trabalhos na horta. A esperança é um farol… Agora, ele vai cuidar da horta no Céu, na companhia dos Anjos, da Madonna, a quem tanto amava, e dos santos e santas de Deus que o precederam na eternidade. Não tem jeito: tudo o que começa num determinado dia termina. C’est la vie (“é a vida”). Por isso, “a vida não é de se brincar porque em pleno dia se morre” (C. Lispector).

“A morte não extingue, transforma; não aniquila, renova; não divorcia, aproxima” (Rui Barbosa). E no Prefácio próprio dois fiéis defuntos a Igreja afirma: “E, aos que a certeza da morte entristece, a promessa da imortalidade consola. Senhor, para os que creem em vós, a vida não é tirada, mas transformada”. Rubem Alves escreveu que “a alma é uma borboleta e há um instante em que uma voz nos diz que chegou o momento de uma grande metamorfose”. Chegou o momento do caríssimo Irmão Costa a páscoa da ressurreição. Com o coração agradecido pela boa e bem humorada companhia, resta-nos dizer: Obrigado por tudo e requiescat in pace.

Na Missa de corpo presente Pe. Gottardo lembrou de alguns fatos importantes da vida do Irmão Costa.

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