Pe. Gottardo,SJ

Acolher bem é também evangelizar foi o leitmotiv (fio condutor) do encontro dos Reitores de Santuários do Estado de Santa Catarina, na teoria (reflexões) e na prática (o modo como fomos acolhidos e servidos no evento), que aconteceu nos dias 17-19/9 no magnífico Santuário dedicado ao Sagrado Coração de Jesus (Içara -SC). É a ideia-eixo da missão evangelizadora do Santuário Nacional de Aparecida (SP). Trata-se de uma intuição objetiva, verdadeira e experiencial: quem é bem acolhido – e, isto vale para qualquer ambiente –  sente-se bem e falará bem. Não há nada de mais deletério e nocivo que a indiferença. Como foi triste a experiência de Jesus ao visitar sua terra natal, Nazaré (cf. Mc 6,1-6).

Hoje, percebemos que efetivamente a sociedade do bem-estar material está produzindo o mal estar da alma/espírito. Não por acaso São Paulo lembrava aos Corintos que “a ciência incha” (cf. 1Cor 8,1) e faz os homens/mulheres prescindirem de Deus. Cai-se facilmente na idolatria da razão, das ideologias e dos modismos. No entanto, nada dos que as mãos humanas produzem é capaz de saciar a sede de infinito. A felicidade não reside nas coisas/criaturas. Neste sentido o Documento de Aparecida é luminoso ao afirmar que “a decisão de caminhar em direção ao santuário já é uma confissão de fé” (cf. 259). A experiência daquilo que nos ultrapassa é o que mais nos humaniza e mais nos irmana, porque é Aquilo que que dá direção, sabor e verdadeiro sentido à vida.

O Arcebispo de Florianópolis, Dom Wilson Tadeu Jönck, esteve presente em tempo integral no evento. Ele nos ajudou a aprofundar o tema da “piedade popular como lugar de encontro com Jesus Cristo” (cf. DApa 258ss). Dom Jacinto Inácio Flach (Criciúma) também esteve presente no dia 18/9, à tarde e à noite, na celebração eucarística no Santuário Nossa Senhora Mãe dos Homens (Araranguá) e jantar no centro comunitário. À tarde, brindou-nos com a fala: “Por que existem Santuários?”. Lembrou-nos que na longa história do cristianismo inúmeras foram as tentativas de desqualificar e/ou enterrar a memória de Jesus. A severa crítica de Jesus dirigida aos fariseus nunca perdeu a vigência: “Hipócritas! Sabeis analisar os fenômenos do céu e da terra. Como é que não sabeis discernir o tempo presente?” (cf. Lc 12, 56).

O Pe. Reinaldo Benjamim, prefeito de Igreja (cuida da dimensão executiva da pastoral) do Santuário Nossa Senhora Aparecida falou-nos da estrutura organizacional daquele Santuário e temas afins. Lembrou-nos que “Cristo se fez peregrino com os peregrinos” (cf. DApa 259). A última fala coube ao Jean Ricardo, idealizador e proprietário da Agência Dominus. O jovem e arguto profissional chamou-nos a atenção do perigo do amadorismo como também dos riscos do improviso. É preciso vencer preconceitos e resistências e sermos mais “profissionais” também na obra evangelizadora. Se, por exemplo, um pároco/reitor encampa uma campanha para atrair mais pessoas nas Missas, mas o som é ruim, a música é um horror e o ambiente é dispersivo de nada adiantará a campanha. Soa engodo. Os desafios são imensos. Fare attenzione.

O acolhimento do Pe. Antônio Vander da Silva, anfitrião e reitor do Santuário do Sagrado Coração de Jesus, e da equipe que coordena com ele aquela notável obra de evangelização, encantou e impressionou a todos. Demonstra liderança, competência, espírito empreendedor e grande amor à missão confiada a ele. Todos nós, reitores, fomos agraciados e presenteados com produtos que garantem a pujante economia da região. Que encontro bom e alvissareiro! Que venham os frutos!

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