Por Jean Marcos Bunn (Coordenação da liturgia)

No último sábado (dia 02), com missa presidida por nosso pároco, o Pe. Roberto Jerônimo Gottardo, SJ, ocorreu a entrega dos 10 Mandamentos (Decálogo) aos catequizandos do 1º ano da Iniciação à Vida Cristã (IVC).

As leituras foram condizentes com a ocasião. Durante o evangelho foi possível meditar a passagem onde os fariseus enfrentam Jesus por curar no dia de sábado, que pela antiga lei deveria ser reservado exclusivamente ao Senhor: “Jesus entrou de novo na sinagoga. Havia ali um homem com a mão seca. Alguns o observavam para ver se haveria de curar em dia de sábado, para poderem acusá-lo” (cf. Mc 3,1-2).

Esse comportamento da lideranças do judaísmo não deixou Jesus indiferente: “[…] olhou ao seu redor, cheio de ira e tristeza, porque eram duros de coração[…]” (cf. Mc 3,5). O evangelho nos recorda que as vezes a letra mata, nos deixando cegos ao amor que deve permear cada ação nossa.  Como nos recorda são Paulo em sua primeira carta aos Coríntios, “ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o címbalo que retine” (cf. 1Co 13,1).

Durante a homilia, Pe. Roberto nos recordou da contradição que pode existir entre a religião e a vivência do evangelho. Embora a sinagoga fosse o local onde eram lidos os escritos e onde se proferiam os ensinamentos de Deus, foi dali que “ao saírem, os fariseus, com os partidários de Herodes, imediatamente tramaram, contra Jesus, a maneira como haveriam de matá-lo” (cf. Mc 3,6). A “Casa de Deus” tornou-se o lugar mais perigoso para a “vida pastoral” de Jesus.

Aqueles homens, que em tese deveriam ser exemplares por sua piedade e comprometimento, em nome de Deus (ideologia) acabaram por matar o próprio Filho de Deus devido ao apego demasiado em relação às normas e às regras religiosas. Querendo obedecer ao Deus das escrituras, se tornaram cegos ao amor e à misericórdia que deve nortear e dar sentido a toda lei que vem dos céus.

Pe. Roberto ainda nos recordou que a religião é como um canal/meio que deve servir para conduzir o rio da fé ao oceano divino. Assim como sem a água todo canal perde sua finalidade assim também sem um relacionamento saudável com Deus todas as leis tornam-se estéreis e obsoletas, causando a condenação de inocentes.

Os catequizandos da IVC que tiveram a alegria de receber os Mandamentos, foram convidados a assimilarem o espírito da lei de Deus e a porem em prática. As normas que brotam do coração de Deus só têm sentido quando aplicadas com sabedoria no contexto em que vivemos. Caso contrário, se tornam a letra morta que, como um tronco podre e caído, impede que a fé cresça e produza frutos.

 

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