Por Pe. Roberto Jerônimo Gottardo,SJ

A Montanha que aparece estampada na nossa identidade visual nos remete imediatamente ao Morro da Cruz. Lembra-nos também de um fato indubitável: A geografia de Nova Trento é marcada e demarcada por grandes e pequenas montanhas. Vivendo numa região recheada de montanhas, montes e colinas, o povo da Bíblia utilizou o simbolismo da montanha como lugar especial de manifestação da glória de Deus ao Seu povo.

Na Bíblia há duas referências absolutamente extraordinárias da Montanha: quando Deus entregou a Moisés o Decálogo (os Dez mandamentos) no monte Horeb, e no magnífico Sermão da Montanha no qual Jesus comunicou aos homens as Bem-aventuranças. A montanha simboliza ainda a estabilidade e a eternidade de Deus, em contraposição com as águas movediças dos rios e dos mares, e com as inconstâncias dos humanos. A montanha, em última análise, encerra o simbolismo da transcendência.

Se a montanha aponta para a transcendência de Deus, o Morro da Cruz é entrecortado por um Caminho que conduz o viandante às alturas, indicando o itinerário da fé; ou seja, um movimento de ascensão ao encontro do Divino. O ser humano foi criado para o infinito. Somos criaturas inacabadas, sempre a caminho e peregrinando (homo viator); ai de quem se fixar qual fóssil no passado! É próprio do humanum desejar fazer novas experiências, aprender coisas novas, vislumbrar o diferente, abrir-se para o futuro. Qual neotrentino não subiu ao Morro da Santa para fazer uma prece, para passear e/ou para contemplar a beleza singular daquele lugar paradisíaco?

O Capitel foi acurada e carinhosamente escolhido como símbolo da religiosidade que caracteriza a vida do povo de Nova Trento. A maioria do nosso povo oriundo do Norte da Itália (Trento) aportou por essas terras no final do século XVIII e trouxe consigo a cosmovisão, a cultura e a religião dos antepassados. Indubitavelmente, o catolicismo deita raízes profundas na terra de Santa Paulina, a primeira Santa brasileira. É importante destacar ainda as cores das faixas do Caminho que conduz ao Santuário Nossa Senhora do Bom Socorro; fazem explícita alusão as cores da bandeira da Itália.

Na parte alta do capitel se encontra o emblema da Companhia de Jesus: um sol radiante e amarelo com as letras em vermelho IHS (Iesus Hominibus Salvatorem – “Jesus Salvador dos Homens”). Sobre a letra H há a tradicional cruz e abaixo das letras IHS, sempre dentro do sol, os três cravos. Isto serve para indicar a presença centenária da presença dos Jesuítas na Paróquia de São Virgílio, em Nova Trento (SC).

Para os olhares mais atentos, na base do Monte representado, aparecem ainda dois símbolos emblemáticos da cultura local: o cultivo da terra e um pedreiro com mãos à obra. Nessas duas atividades laborais se condensa os fundamentos da economia e da subsistência de muitas famílias, ainda nos dias de hoje. Tudo para a maior glória de Deus.