Por Pe. Gottardo,SJ

 “Não permito que nenhuma reflexão filosófica me tire a alegria das coisas simples da vida!” (S. Freud).

No último sábado (5/5), na capela de Santo Antônio do Baixo Salto, José Boso e Maria de Lourdes Gon presentearam familiares e amigos/as com a celebração das bodas de diamante, ou seja, 60 anos de união conjugal. De fato, chegar aos 60 anos de casamento e poder renovar as promessas significa reconhecer que nada mais conseguirá destruir a relação cultivada ao longo das décadas.  Para eles a cultura do descartável e do consumismo desvairado apenas desperta náuseas.

Geraram e educaram os 7 filhos com imensas dificuldades e grandes privações. São vencedores! Alicerçados na fé viva e profunda herdada dos antigos imigrantes italianos que aportaram por estas paragens no final do século XIX e na qualidade de agricultores, construíram uma bela e honrada família. Gozam de notável vitalidade física e não ostentam qualquer tipo de vaidade. Um exemplo de vida simples, piedosa e fecunda. É verdade “tem gente ente que tem cheiro das estrelas que Deus acendeu no céu… Ao lado delas, a gente não acha que o amor é possível, a gente tem certeza. Ao lado delas, a gente se sente visitando um lugar feito de alegria” (Ana C. Jácomo).

São Tiago escreveu: “Bem-aventurado o homem que suporta com paciência a provação! Porque, uma vez provado, receberá a coroa da vida, que o Senhor prometeu aos que o amam” (cf. 1,2). E não foram poucas as provações enfrentadas pelo casal! Além da luta diuturna contra a pobreza e da labuta com a terra, tiveram de enfrentar a horrível opressão da Igreja. Com os olhos marejados, contaram que após o nascimento do sétimo filho, resolveram evitar outros e comunicaram-no ao pároco. No entanto, o padre da época, sem nenhuma compaixão, foi duro e enfático: “se evitarem filhos estão proibidos de receber a Comunhão”. Senza commento.        

Para além dos prognósticos sombrios dos céticos que não creditam no amor, à luz da experiência de José e Maria, pode-se afirmar sem delongas que o amor move montanhas, atravessa mares, ultrapassa obstáculos, faz história, ganha e perde, constrói e se renova. “Só o amor é digno de fé” (Hans Urs von Balthasar). Amar é o verbo que eles aprenderam a conjugar juntos na mesma cadência e simplicidade. “Amar não é olhar um para o outro, é olhar juntos na mesma direção” (Antoine de Saint-Exupéry).

Querido casal, José e Maria, não há dúvidas que 60 anos de convivência e de amizade é um feito admirável e digno de respeito. Deus seja louvado. Parabéns!

 

“Podemos escolher o que plantar, mas somos obrigados a colher o que semeamos” (provérbio chinês). Na altura dos 85 anos, o senhor José Boso exibe incrível vitaliade física, não pára de plantar e de colher. Parabéns!

 

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