Por Jean Bunn

A liturgia católica possui um vasto tesouro , com ritos, vestes e símbolos que nos remetem à época dos próprios apóstolos, ou até mesmo antes, derivando de tradições judaicas. A Igreja nos exorta que esses elementos devem ser preservados e ensinados, pois contribuem para o sentido de continuidade entre os cristãos, além de conterem simbolismos que ajudam enormemente no crescimento espiritual.

Nesse conjunto que compõe a liturgia católica, as cores exercem papel preponderante. Nos ensina a Introdução Geral do Missal Romano (IGMR), no número 35: “A diversidade de cores das vestes sagradas tem por finalidade exprimir externamente, de modo mais eficaz, por um lado, o caráter peculiar dos mistérios da fé que se celebram; por outro, o sentido progressivo da vida cristã ao longo do Ano Litúrgico”.

Muitos fieis, infelizmente, por descuido ou despreparo, desconhecem o sentido das cores que vemos durante as missas, seja nas velas, na estola ou na casula. Vejamos:

Verde

O verde é a tom que predomina durante o ano litúrgico. É usado em todo o tempo comum (excetuando-se dias de festas e outras solenidades), que divide-se em duas partes: A primeira se estende do batismo de Nosso Senhor até quarta feira de cinzas, quando se inicia a quaresma, e a segunda vai da solenidade da Santíssima Trindade, após Pentecostes, até a festa de Cristo Rei, que marca o início do advento.

O verde simboliza justamente a esperança dessa época de tempo comum. Os evangelhos desse período fazem referência às mensagens, parábolas, curas e ensinamentos de Jesus. É o verde das folhas e das florestas, o verde da natureza viva que nos fala da promessa do paraíso e da Vida Eterna.

Roxo

O roxo é outra cor habitual da liturgia católica. Os fieis estão acostumados a vê-lo durante o tempo da quaresma e do advento. É uma mistura do vermelho do sangue com o azul do céu, simbolizando portanto a penitência e o recolhimento necessários a essas épocas. Embora o advento não seja em si mesmo um período de grandes jejuns, como o é a quaresma, permanece sendo o momento de nos prepararmos para recebermos o Cristo nascido, o que faz da cor propícia e necessária. Justamente pelo seu significado, o roxo também é usado durante a missa de finados e durante as celebrações de exéquias.

Ao confessar um fiel, é praxe que o sacerdote utilize uma estola roxa.

Vermelho

O vermelho nos remete a duas coisas importantes no simbolismo cristão: O sangue e o fogo. É uma cor muito específica, que o fiel verá sendo usada nas celebrações que marcam a Paixão de Nosso Senhor, Domingo de Ramos e a Sexta-feira Santa, e também na solenidade de Pentecostes, quando o Espírito Santo se derrama como língua de fogo sobre os apóstolos (Cf. At 2,3). É também utilizado nas missas de santos mártires, que morreram derramando seu sangue por Cristo. Além disso, o vermelho também se faz presente durante as missas de confirmação, que estão diretamente ligadas à vinda do Espírito Santo.

Branco

O branco simboliza a luz, a pureza, a transfiguração (Cf. Mt 17,1-9). É a cor daqueles que lavaram as vestes no sangue do cordeiro (Cf. Ap 22,14). É, dessa forma, a cor da santidade radiante e feliz. Por essa razão, é utilizado nas missas do tempo do natal e da páscoa (aqui é conveniente lembrar que a comemoração da páscoa se estende até Pentecostes e a do natal até a visita dos reis magos). Também se usa-o em todas as solenidades e festas de Nosso Senhor que não estão ligadas à paixão, como a Quinta-Feira Santa ou a festa de Cristo Rei. Além disso, pode ser visto nas solenidades ligadas à santa Maria e em algumas ocasiões especiais, como o batismo (onde o fiel batizado também usa a cor) e as cerimônias de casamento.

Existem ainda outras cores, que embora menos habituais, tem seu uso permitido:

Preto

O preto caiu em desuso após o concílio Vaticano II. Todavia, a sua possibilidade ainda consta nas rubricas. Pode ser usado no dia de finados e nas celebrações por algum fiel defunto. Seu sentido é evidente: representa a realidade da morte, a passagem dessa vida para a outra, a transformação da realidade carnal em pó.

 

Rosa

Essa cor peculiar pode causar certa estranheza e divertimento entre os fieis. O rosa é usado em duas ocasiões muito específicas: No terceiro domingo do Advento, chamado de Gaudete, e no quarto da quaresma, chamado de Laetare. O tom rosáceo é o roxo diluído em branco. Evidencia que o tempo de preparação para a Páscoa e para o Natal aproxima-se de seu final. O jejum e a penitência são marcados agora por uma doce alegria, pela transformação que a preparação deve ocasionar na vida dos fieis. É o branco invadindo o roxo, animando-o a prosseguir.

O rosa é facultativo, sendo geralmente substituído pelo uso do roxo, embora o sentido de expectativa alegre seja mantido.

Dourado e prata

O dourado e a prata são opções ao branco em grandes dias de festa. Geralmente é visto no dia do natal e na páscoa.

Azul

Essa cor não é permitida no Brasil, mas é válido falar dela. O azul é um privilégio papal que foi concedido à Espanha e aos países que foram colônia espanhola pela ajuda que deram à promulgação do dogma da Imaculada Conceição (mais tarde estendido também à Austrália e aos frades carmelitas). É usado unicamente em algumas festas e solenidades ligadas à Nossa Senhora. Entretanto, é válido e belo o costume de se usar nas festas marianas casulas brancas com detalhes nessa cor, tendo em vista que ela sempre esteve ligada à Nossa Senhora.

Lembramos sempre que o objetivo das cores é elevar o fiel, auxiliando-o, através de seus ricos símbolos, a contemplar melhor os mistérios sagrados. A Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium diz que “é desejo ardente da Mãe Igreja que todos os fiéis cheguem à plena, consciente e ativa participação nas celebrações litúrgicas, que a própria natureza da liturgia exige e que é, em virtude do seu batismo, um direito e um dever do povo cristão”.

(Agradecimentos ao site da Canção Nova e ao blog Pílulas Litúrgicas.)

 

 

 

 

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