A Igreja no Brasil, desde 1971, dedica o mês de setembro à Bíblia. Isto tem sido evocado pelas igrejas e capelas das nossas paróquias. No último sábado, por exemplo, na capela de São Francisco (Mato Queimado), as crianças da Iniciação à Vida Cristã fizeram bonito ao entrarem com a Bíblia, durante a missa. À Palavra de Deus, por mais dura que seja, o cristão deve responder com a escuta ativa e acolhedora: “E agora, ó Israel, ouve as leis e os preceitos que hoje vou ensinar-vos”. No entanto, na Bíblia, o imperativo da escuta da Palavra ultrapassa o sentido de dar ouvidos e prestar atenção, pois exige compromisso e engajamento: “Ponde-os em prática para que vivais e entreis na posse da terra” (cf. Dt 4,1). O modo mais inteligente e realista de guardar a Palavra é pô-la em prática. A atitude de escuta da palavra evoca a ação do próprio Deus, que ouviu o grito do seu povo e desceu a fim de libertá-lo (cf. Ex 3,7-8). É a escuta autêntica da Palavra a base para a experiência com o Divino, para a relação pessoal com o Deus vivo, o alicerce da vida em comunidade e a inspiração para se ter acesso aos sonhos/desejos de Deus para este mundo tão ferido pela indiferença, pela dor e pelas fragilidades humanas. A escuta autêntica da Palavra de Deus leva à fé viva e eficaz. Que lugar ocupa a Palavra de Deus em nossas vidas/casas? As nossas celebrações, as nossas pregações e os nossos cultos têm produzidos frutos, ou seja, alguma experiência transformadora e/ou é “só mais do mesmo”? A Palavra tem nos ajudado, efetivamente, a sermos autênticos discípulos de Jesus? As nossas ações conseguem revelar a esperança que nos move? No nosso contexto cultural onde as distrações mundanas se multiplicam como tiririca na horta, a Palavra de Deus, ainda tem algo a comunicar? Por que a bela e benfazeja prática das reuniões em família e com as famílias em torno da Palavra (os círculos bíblicos) está agonizando? Como revelo o amor que afirmo ter na Palavra de Deus? Refletir é preciso.

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