Com o advento das grandes navegações, a Companhia de Jesus teve um papel pioneiro em levar a fé católica a todos os cantos do planeta. Sob o influxo do grandioso apóstolo do Oriente, são Francisco Xavier, o cristianismo se estabeleceu no Japão, através de inúmeros missionários que dedicavam sua vida ao ensino e à conversão daquele povo pagão.

Foi nesse contexto de expansão da fé cristã que nasceu, em Kyoto (na época, capital do Japão), são Paulo Miki. Filho de uma família de nobres samurais, o rapaz foi criado na fé cristã e pôde, com o auxilio da graça de Deus, seguir a Cristo no chamado ao sacerdócio.

Entretanto, os primeiros jesuítas que se estabeleceram no Japão tinham dificuldades em catequizar devido aos costumes e à língua completamente estranhos. A ‘Terra do Sol Nascente’ era uma nação isolada tanto geográfica quanto culturalmente, o que tornava o diálogo complexo e difícil. Como falar de Jesus Cristo, Israel e salvação a um povo que jamais imaginara que tais coisas pudessem sequer existir?

Mas são Paulo Miki, por conhecer o povo e o costume, conseguiu assumir um papel de liderança nesse processo de evangelização. Entretanto, com a rápida expansão do cristianismo nos anos que se seguiram, e a ameaça de domínio espanhol, o general Hideyoshi decidiu expulsar todas as ordens religiosas e exterminar os convertidos à nova religião.

Era o ano de 1587 quando as perseguições começaram. Mas são Paulo Miki, em sua fé e bravura, enfrentou os algozes e continuou a pregar o evangelho. Logo ele e outros tantos cristãos que resistiam acabaram presos, torturados e conduzidos, de aldeia em aldeia em pleno inverno para servir de exemplo aos outros.

Entre os condenados estavam jesuítas, franciscanos e leigos que mantinham-se firmas na fé. São Paulo Miki consolava a todos, animando-os a serem perseverantes. Ao fim desse período de penúria, ele e seus companheiros foram martirizados através da crucificação. Uma maneira terrível e demoníaca de se debochar daqueles santos inocentes, matando-os da mesma forma como a Cristo.

Os relatos das testemunhas surpreendem. Mesmo pregados na cruz, os mártires se mantiveram felizes, testemunhando o Evangelho e a Ressurreição em que acreditavam. Há, no fim, uma felicidade que não pode ser apagada pelas mazelas e pela efemeridade dessa nossa vida, e essa é a verdade que há por trás de toda confissão e testemunho cristãos.

O exemplo de são Paulo Miki continua forte ao Japão, um país que se tornou escândalo pela elevada taxa de suicídio. Mesmo com tantos bens materiais, os japoneses continuam sem encontrar razões para viver. Que os mártires e perseguidos cristãos roguem a Deus por essa nação materialista e pagã e por todos aqueles que continuam fechados à verdade evangélica.

São Paulo Miki, mártir das missões jesuíticas, rogai por nós!

 

Comente