Por Núbia Kiatkowsky

É necessário ouvirmos o apelo do coração misericordioso de Jesus nos dias de hoje. Eu comecei a ouvir este chamado desde a primeira vez que vi as irmãs da comunidade servos adoradores da misericórdia (SAM), quando elas vieram conduzir um retiro. A alegria e a docilidade delas me inundaram de perplexidade e a emoção gritava em meu coração. De início pensei que era algo momentâneo. Mas, com o passar dos dias, vi que essa emoção já não se calava mais, e eu precisava partilhar aquilo que estava sentindo. No entanto, comecei a me esconder. Como muitos jovens aos seus 18 anos têm  sonhos e objetivos, assim eu também tinha.

Esforçava-me muito, pois sempre sonhei em seguir profissão no ramo da saúde. Cuidar dos mais necessitados pra mim era um grande objetivo. No ultimo ano do ensino médio, com toda a pressão de vestibular chegando, me via esforçada para ir atrás dos meus sonhos.

Mesmo sendo uma jovem com condição financeira estável, com uma família apoiadora em todas as minhas decisões de futura carreira profissional, com bons amigos, e sempre tendo em minhas mãos os bens materiais que o mundo me propunha, não me sentia completa, me perguntava sempre se algum dia eu seria feliz por inteira, se esse vazio que havia dentro de mim, um dia passaria.

Na segunda vez que as irmãs vieram para Nova Trento, para conduzir o retiro de catequistas em  nossa paróquia, ouvi uma pregação delas. Para mim foi o dia em que me despojei totalmente e dei o meu sim para o senhor. A irmã dizia que o processo vocacional muitas das vezes é doloroso, mas precisamos deixar que o Senhor cuide de nosso coração.

E era exatamente isto que estava sentindo. O apelo de Jesus gritava em meu coração, me chamando para amparar as suas chagas de dor, mas a minha vontade humana negava qualquer sentimento, com medo de deixar tudo aquilo que havia sonhado. Chorava porque o meu coração doía e a tristeza em mim era muito forte. Eu precisava me abrir e aceitar a graça de Deus em minha vida, e somente dessa forma eu seria feliz. Foi no momento em que entendi isso, que recebi uma profunda paz, uma felicidade que me inundava de dentro para fora e me consumia por inteira. Neste momento dei o meu sim e deixei que ele me conduzisse a terras mais longínquas.

Renunciei a mim mesma, para poder sentir esse amor mais vezes, e deixar que ele seja o tudo em minha vida. Optei viver uma vida casta, livre para amá-lo, como o único de minh’alma. Pobre, desapegando-me de tudo para abraça-lo. Obediente, confiando em sua voz que me chama. Querendo ser fiel nos futuros votos de pobreza, castidade e obediência, como resposta de fidelidade e amor a esse Deus que tem muitas graças a nos conceber, fazendo com que eu seja testemunho vivo da sua misericórdia e compaixão, para com todas as almas.

“Não fostes vós que me escolhestes; ao contrário, Eu vos escolhi a vós e vos designei para irdes e dardes fruto, e fruto que permaneça. Sendo assim, seja o que for que pedirdes ao Pai em meu Nome, Ele o concederá a vós.”  (Jo, 15.16)

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